A Cristina Ferreira cozinha para o Santo António, ou seja, juntou-se a nós para dar uma ajudinha neste mês agitado. Quisemos que auxiliasse na seleção do menu para esta época especial.
Esta receita de Arroz Doce, é uma das muitas que publicamos na revista À Moda do Flávio que já está nas bancas e locais habituais.
Nesta altura do ano por todo o lado há manjericos. Em Lisboa e no Porto, por exemplo, a cidade está engalanada e cheira a sardinha assada. Os petiscos da época são do mais simples que há, mas é essa simplicidade que transforma a nossa gastronomia numa das mais apetecíveis do mundo.
Como não quisemos deixar de assinalar a quadra, convidámos a Cristina Ferreira para nos ajudar a escolher o menu para os dias dos Santos Populares.
Esta é uma comemoração que provém da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão, onde outrora se denominava por Festa Junina. Os seus contornos foram sofrendo algumas alterações ao longo da história, mas a comemoração dos Santos Populares tal e qual como é hoje vivida é já uma tradição secular, intemporal e bastante apreciada de norte a sul do nosso país.
Os Santos Populares comemoram-se um pouco por toda a parte. Seja Santo António, São João ou São Pedro, qualquer uma destas comemorações serve de pretexto para que os portugueses abandonem as suas casas e se deixem levar pelo aroma a manjerico e sardinha assada que se entranha por entre estas noites quentes do mês de Junho.
Mas onde esta época festiva se faz sobretudo sentir é nas grandes cidades de Lisboa e Porto, onde, por entre os seus bairros tipicamente portugueses, a tradição e o ambiente de festa é levado até ao seu expoente máximo. Se por um lado o que leva à folia dos alfacinhas é a comemoração do Santo António, com as tão típicas marchas e bailaricos, os nortenhos saem para a rua é no São João, com o alho-porro numa mão e o martelo na outra, prontos para atear as fogueiras e lançar os balões ao ar. O mesmo se passa em cidades como a Póvoa do Varzim e Torres Vedras, onde na noite de São Pedro se sai à rua para um festejo que promete durar até ao amanhecer.
Em qualquer uma das noites, a base é a mesma: juntar os amigos e a família, num ambiente popular e festivo, ao sabor da multiplicidade de aromas que apenas se fazem sentir nesta época do ano. Pois que não são Santos Populares se não estiver na mesa (ou no pão) a típica sardinha assada com pimento e vinho tinto a acompanhar, assim como o tradicional caldo verde para quando a noite esfria. A gastronomia típica desta quadra festiva é, sem dúvida um factor que a define e caracteriza. Contudo, os aspectos gastronómicos desta quadra não ficam apenas por aqui: são também estes uma festa, onde entre petiscos e refrescos se saboreia de tudo um pouco. Desde o típico aroma a chouriço assado na grelha até à entremeada para os menos apreciadores da sardinhada, tudo vale nesta noite bairrista. Os aperitivos também marcam presença, com os queijos e o pão sempre a sair do forno. Para os que esquecem as dietas por um dia, os couratos e as farturas fazem sucesso. A acompanhar todas estas iguarias tipicamente portuguesinhas não poderia faltar a mítica sangria, tinta ou branca, mas sempre fresca.
E assim se vivem as noites de Junho, com o melhor que por aqui se pratica: a boa disposição e a gastronomia que enche a barriga (e o coração).

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